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Nova terapêutica para tratar lesões criada na Universidade do Minho.

Uma equipa da Universidade do Minho (UMinho) conseguiu reverter os efeitos provocados por lesões na espinal medula, desenvolvendo uma «nova abordagem terapêutica» que permitiu «mostrar melhorias significativas» ao nível motor e ajudar a redução da inflamação.

Este trabalho, que acaba de ser publicado na revista Stem Cells, resulta de uma parceria com as universidades de Coimbra, Tulane e Thomas Jefferson (estas duas últimas nos Estados Unidos).

A UMinho explica, através de comunicado, que os resultados se baseiam num estudo realizado em modelos animais (ratos) com lesões moderadas na espinal medula, tendo sido possível «induzir a reparação da lesão e mostrar melhorias significativas no comportamento motor dos animais, além de ajudarem na redução da inflamação», usando a «transplantação conjunta de dois tipos de células (células estaminais do tecido adiposo e células gliais do bolbo olfativo)».

O próximo passo naquela «nova abordagem terapêutica» para tratar lesões na espinal medula, «um órgão fundamental para a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo, funcionando como uma espécie de autoestrada de informação nervosa», será agora centrado na validação deste tipo de estratégias em animais de maior porte num contexto clínico veterinário, esperando a UMinho obter dados que possibilitem, no futuro, a passagem para um estudo experimental em humanos.

A investigação foi desenvolvida por António Salgado, coordenador do estudo, realizado também com Eduardo Gomes, Sofia Mendes, Nuno Silva e António Salgado, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) e da Escola de Medicina da academia minhota.

António Salgado salienta que, «para este tipo específico de lesões (hemisecção torácica), a transplantação celular sem qualquer tipo de tratamento complementar foi suficiente para obter resultados positivos, o que acaba por ser a grande novidade deste trabalho e revela o potencial desta estratégia».

A UMinho revela que António Salgado e a sua equipa tinham já conseguido reverter lesões severas em modelos animais, através da combinação de duas terapêuticas: «a transplantação de células estaminais e o uso de biomateriais, ou seja, materiais que vão ser aplicados com uma função biológica. Os investigadores trabalham com um biomaterial semelhante a um gel que armazena células na sua estrutura e que são injetadas na espinal medula», lê-se no comunicado.

«Quisemos ver o que acontecia sem usar biomateriais num modelo menos severo», acrescentou António Salgado. «Em modelos que não sejam tão graves do ponto de vista de impacto nas lesões da espinal medula, a transplantação de células sem utilização de biomateriais é, por si só, suficiente».

A UMinho sublinha que «este trabalho vem comprovar que lesões diferentes requerem abordagens diferentes e que o sucesso das terapêuticas está muito dependente do grau de lesão existente». Assim, as lesões que afetem a espinal medula comprometem seriamente a capacidade motora e sensorial dos pacientes», sendo que «as consequências secundárias da lesão, associadas à baixa capacidade de regeneração do tecido nervoso, fazem com que ainda hoje não haja tratamento para este tipo de lesões».

A investigação foi financiada pelo Prémio Santa Casa Neurociências – Melo e Castro, atribuído pela Misericórdia de Lisboa em dezembro de 2017.

Para saber mais, consulte:

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